| Em 27 de setembro de 1924, uma carta patente do governo federal do Brasil autoriza
o funcionamento da seção bancária da Casa Moreira Salles,
uma das mais importantes lojas de comércio de Poços de Caldas, Minas
Gerais, fundada por João Moreira Salles em 1918. A data marca o início
da trajetória de sucesso de 80 anos do Unibanco, terceiro maior grupo financeiro
privado do Brasil.
Em 1931, a seção bancária da Casa Moreira Salles é
transformada em uma instituição independente: a Casa Bancária
Moreira Salles. A partir daí torna-se, durante uma década, financiadora
de destaque de empreendimentos da região, contribuindo para o desenvolvimento
socioeconômico local.
Com a prosperidade dos negócios, surge, em julho de 1940, o Banco Moreira
Salles, resultado da fusão entre a Casa Bancária Moreira Salles,
o Banco Machadense e a Casa Bancária de Botelhos. Começa a expansão
das atividades e a expansão do Banco Moreira Salles, que deixa, então,
de ser um banco regional do sul de Minas Gerais. São inauguradas as agências
do Rio de Janeiro (então capital federal), em abril de 1941, e de São
Paulo, em julho de 1942. Já em 1945, com cinco anos de trajetória,
a instituição contava com uma rede de 34 unidades, entre matriz,
sucursais e agências. Após 10 anos de atividade, no final de 1950,
esse número sobe para 63. O Banco Moreira Salles ultrapassa suas barreiras
geográficas e acompanha o processo de modernização, urbanização
e industrialização característico do Brasil daquela época.
Em 1964 o Banco dispunha de 191 agências.
Em 1966, o Banco Moreira Salles, junto com sócios como a Deltec, a Light
and Power Co. e o grupo Azevedo Antunes cria o Banco de Investimento do Brasil
(BIB). A criação do BIB decorreu da absorção de
duas organizações com tradição no mercado de ações
no país: a Deltec e o Ibec (International Basic Economy Corporation,
do grupo Rockefeller). A partir daí o Grupo Moreira Salles se destaca
por uma característica que iria permear seus negócios no decorrer
do tempo: aliar-se à excelência e à experiência já
existentes, atraindo talentos. Nomes como Roberto Teixeira da Costa, Tomas Tomislav
Antonin Zinner, Gabriel Jorge Ferreira, Roberto Konder Bornhausen e Israel Vainboim
juntaram-se ao grupo com a formação do BIB e iriam comandar a
trajetória de sucesso do Unibanco nos anos seguintes.
Quando, certa vez, foi pedido ao embaixador Walther Moreira Salles para que
definisse o segredo de seu sucesso empresarial, sua resposta foi: "Só
há um segredo. Saber escolher as pessoas". Não há
dúvida de que um dos motivos do sucesso do Grupo Moreira Salles e do
Unibanco foi o fator humano. O êxito da Instituição também
foi fruto de diversas associações duradouras, muitas delas com
parceiros estrangeiros que contribuíram, desde cedo, para que se tivesse
uma perspectiva global de negócios e uma atuação constante
no mercado internacional. Alguns desses sócios vieram com o BIB nos anos
que se seguiram: o Commerzbank AG em 1968, o Crédit Suisse em 1969, o
Dai-Ichi Kangyo Bank em 1972, o Philadelphia International Investment Corporation,
o Harris Bankcorp, Inc. e o White Weld em 1973. As parcerias internacionais
passariam a ser um dos grandes diferenciais do Grupo Moreira Salles.
Em maio de 1967, o Banco se funde com o Agrimer, Banco Agrícola Mercantil,
e surge a sua nova denominação: União de Bancos Brasileiros
S.A. (UBB). A UBB nasceu com 8.570 funcionários, 333 agências (a
maior rede do Brasil naquela época) e mais de 1 milhão de correntistas,
distribuídos em nove estados além do Distrito Federal. Dois anos
depois estava no segundo lugar no ranking de bancos comerciais privados
do Brasil.
Em 1970, há a segunda grande incorporação, com a absorção
do Banco Predial do Estado do Rio de Janeiro. Com ela, um novo perfil institucional
é instaurado: a popularização como banco de varejo. O encontro
da sofisticação financeira do BIB com essa nova cultura aconteceria
sem nenhum desgaste, mudando de forma permanente o futuro da União de
Bancos Brasileiros.
Pouco depois, em 1972, outro fato importante ocorre: a UBB assume o controle
do BIB comprando as participações da Deltec (20%) e do Ibec (19%).
Criam-se, então, as condições para que seja constituída
uma única diretoria - da qual Roberto Konder Bornhausen seria nomeado
principal executivo em 1973 - para comandar um grupo financeiro integrado e
coeso.
Para ilustrar essa integração e facilitar a visão de todas
as empresas como um grupo assim como a sua comunicação com o público,
as 15 empresas passam a ter uma só denominação a partir
de 1975: Unibanco. Chega ao mercado o nome que nos últimos 30 anos tornou-se
sinônimo de tradição, experiência, excelência
em produtos e serviços, compromisso com clientes, crescimento e transparência.
Em 1976, sob a presidência do embaixador Walther Moreira Salles, o conselho
de administração é constituído e são lançadas
as bases da governança corporativa do Unibanco. Concomitantemente, Roberto
Konder Bornhausen assume a presidência da diretoria executiva, cargo que
ocupa até 1988, quando passa à vice-presidência do conselho
do Unibanco. De 1988 a 1992 a presidência do Unibanco é ocupada
por Israel Vainboim, executivo proveniente do antigo BIB. Em 1992 Tomas Tomislav
Antonin Zinner, outro ex-integrante do BIB, é nomeado presidente, cargo
que ocupa até 1998.
Em 1983 uma associação muda o perfil do setor de seguros no Brasil:
a Unibanco Seguradora (12a do ranking àquela época) junta-se à
Sul América, líder do setor, por meio de uma troca de participações.
Nasce a Sul América Unibanco Seguradora, contando com toda a rede do
Unibanco para consolidar sua liderança.
No mesmo ano, em Curitiba, as três primeiras unidades do Banco 24 Horas
são abertas ao público. Nelas o cliente podia realizar saques,
depósitos ou consultar dados a qualquer hora. No Brasil, o 24 Horas Unibanco
foi pioneiro em seu gênero.
Oito anos depois, em 1991, nasce o Banco 30 Horas, marca de sucesso incontestável
do Unibanco. O novo serviço tornava o Unibanco disponível a seus
clientes por 30 horas: seis na agência e outras 24 ao alcance do telefone.
Hoje o serviço conta com diversos canais alternativos, como internet,
celular, fax, entre outros. A inovação configura um canal de atendimento
ininterrupto e de alto valor agregado para o cliente.
Também em 1991, o embaixador Walther Moreira Salles retira-se da presidência
do conselho de administração do Unibanco, após 60 anos
de trabalho, para ocupar o posto de presidente de honra do conselho, passando
a cuidar das atividades culturais do Conglomerado. Nessa ocasião, durante
seu discurso de despedida, o embaixador resumiu a forma de atuar do Unibanco,
como também um de seus princípios éticos: "Somos pessoas
que atendem pessoas. Por maiores que sejam os recursos tecnológicos à
disposição de um banco, ainda assim, ao final de cada comutação
eletrônica permanecerá a circunstância simples, irredutível,
de pessoas servindo pessoas".
Foi ainda pensando em pessoas e no desenvolvimento cultural do Brasil que em
1991 nasceu o Instituto Moreira Salles (IMS), destinado à promoção
e ao desenvolvimento de programas culturais para o grande público. O
IMS passaria a ser presidido pelo embaixador Walther Moreira Salles. Um ano
após foi inaugurada a Casa da Cultura de Poços de Caldas, cidade
onde tivera origem a Casa Bancária Moreira Salles. Momento de retorno
às raízes, mas também de início de uma década
de crescimento, que levaria o Unibanco para o atual patamar de mais de 18 milhões
de clientes.
Em 1993, inaugura-se um novo Centro de Processamento de Dados, aumentando em
40% a capacidade de processamento do Unibanco. O investimento realizado pelo
banco nessa ampliação lhe garantia o compromisso com a crescente
qualidade de seus serviços e já antevia o crescimento substancial
que ocorreria em suas operações.
Um dos fatores que contribuíram para tal crescimento foi a aquisição,
em 1995, do Banco Nacional S.A., operação sem precedentes no mercado
brasileiro. Com ela o Unibanco passou a ter uma rede de 1.446 dependências
no Brasil, cerca de 2,1 milhões de clientes e uma base de 1,4 milhão
de portadores de cartão de crédito. A escala das atividades do
Unibanco subiria para outro patamar.
Em 1996, o Unibanco adquire 50% da Fininvest, financeira com grande experiência
no segmento de crédito direto ao consumidor e pertencente ao grupo Icatu.
Em 1997 dois outros movimentos importantes ocorrem: o Unibanco lança
suas ações na NYSE, tornando-se o primeiro banco brasileiro a
negociar seus títulos na bolsa de Nova York e associa-se com o grupo
financeiro AIG, American International Group.
Com o aumento significativo do volume das suas operações e no
intuito de buscar maior agilidade na tomada de decisões, com encurtamento
da cadeia de comando, a estrutura organizacional do Unibanco passa a basear-se,
a partir de 1998, em quatro pilares: Banco de Varejo, Banco de Atacado, Seguros
e Asset Management. A revisão de processos administrativos e operacionais,
que viria depois, proporcionou significativa redução de custos
e conduziu o Unibanco a novos patamares de eficiência, preparando-o estrategicamente
para a competitividade crescente do mercado financeiro nacional e internacional,
às vésperas do novo milênio.
O ano de 2000 termina com marcas históricas para o Unibanco: 1.623 pontos
de atendimento no Brasil, crescimento do lucro líquido no ano de 25%
e aumento de 50% na base de clientes. Isso se deve em parte ao crescimento orgânico,
mas também é resultado da aquisição do controle
integral da Fininvest, do Credibanco e do Banco Bandeirantes. Com a compra do
Bandeirantes, por meio de uma emissão de ações, o Unibanco
passou a contar com um novo sócio estrangeiro: a Caixa Geral de Depósitos.
O maior grupo financeiro de Portugal, que controlava o Bandeirantes, passou
a deter 12,3% do capital total do Unibanco, integrando o bloco estratégico
de acionistas estrangeiros junto com o alemão Commerzbank AG e o japonês
Mizuho Financial Group.
Após a forte consolidação do mercado financeiro na última
década do século XX, a estratégia passa a priorizar o crescimento
orgânico, ganhos de escala e otimização da base de clientes.
No final de 2000 o ContAtiva é lançado. O programa do Banco de
Varejo possuía metas agressivas de abertura de contas em um prazo de
três anos, e elas foram atingidas com quase um ano de antecedência.
O novo milênio começou com novas parcerias: com a Globex/Ponto
Frio, por meio de seu banco InvestCred (atualmente PontoCred); com o Magazine
Luiza, formando o LuizaCred. Nessas duas operações no segmento
de crédito direto ao consumidor, o Unibanco detém 50% de participação
e a gestão dos negócios. Na Fininvest, possui 100% de participação,
desde dezembro de 2000. Juntas, as parcerias permitiram a ocupação
de posição de destaque na oferta de produtos e serviços
a um mercado com grau de bancarização inferior.
Em 2003, o Unibanco adquire a Creditec, consolidando ainda mais sua posição
de liderança no segmento de crédito ao consumidor. Pedro Sampaio
Malan, ex-presidente do Banco Central do Brasil e ex-ministro da Fazenda, é
convidado a ocupar o posto de vice-presidente do conselho de administração.
Pedro Bodin, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central,
principal executivo do Banco Icatu e um dos principais sócios do grupo
Icatu, é eleito membro do conselho. Também nesse ano o Unibanco
passa por importantes mudanças societárias: uma oferta de permuta
dá o direito a todos os acionistas preferenciais de converter suas ações
em Units (certificados de depósito de ações representativos
de uma ação preferencial da Unibanco Holdings e uma ação
preferencial do Unibanco); uma oferta global de dois grandes acionistas, o Mizuho,
que vende toda a sua participação, e o Commerzbank, que disponibiliza
uma parcela de sua participação, permite um aumento significativo
de liquidez das ações do Unibanco no mercado brasileiro.
Não faltaram motivos para as comemorações dos 80 anos
do Unibanco, em 2004. O ano começa com a compra do HiperCard, cartão
de crédito private label e principal meio de pagamento das lojas
Bompreço, aceito em mais de 70.000 estabelecimentos comerciais do Nordeste.
O Unibanco também adquire as operações brasileiras do BNL,
Banca Nazionale del Lavoro, e fecha importante parceria com o grupo Sonae para
a criação de uma financeira. No quesito governança corporativa,
mudanças significativas acontecem. Armínio Fraga, ex-presidente
do Banco Central, é convidado a participar do conselho de administração
do Unibanco e Pedro Moreira Salles anuncia importantes mudanças estruturais.
A presidência do conselho, até então nas mãos de
Pedro Moreira Salles, que se torna presidente executivo, passa a ser exercida
por Pedro Sampaio Malan, que já ocupava por um ano a vice-presidência
do conselho do Unibanco. O organograma do Unibanco muda para buscar maior sinergia
entre as áreas, com o fim da estrutura de pilares. Joaquim Francisco
de Castro Neto, Fernando Sotelino, César Sizenando, Adalberto Schettert,
entre outros dirigentes, após anos de dedicação e contribuição
ao Unibanco, desligam-se de suas funções executivas. Castro Neto
passa a pertencer ao grupo de conselheiros do banco.
É tempo de revisão e renovação. Renovação
sempre marcada pelo pioneirismo: o Unibanco é o primeiro banco brasileiro
a aderir aos Princípios do Equador, conjunto de medidas socioambientais
utilizadas na avaliação e na concessão de crédito
a projetos de infra-estrutura. Por fim, em 2004, após 33 anos de uma
bem-sucedida parceria, o Unibanco vende sua participação na Credicard
para seus outros dois sócios no negócio.
Olhando em retrospectiva, é fato que o Unibanco sempre soube valer-se
das oportunidades que surgiram. Seu espírito associativo permitiu a conquista
de espaço tanto como banco de investimento quanto como banco comercial.
São 80 anos valorizando pessoas, diversificando talentos e negócios,
investindo em tecnologia, relacionamento e produtos. São 80 anos de contínua
renovação para formar, a cada passo, sempre um novo Unibanco. |