Em 2005, pelo terceiro ano consecutivo, a economia internacional mostrou considerável
dinamismo. A taxa média anual de crescimento no triênio foi de
cerca de 4,5%, contra uma média de 3,5% nos vinte anos anteriores. Este
crescimento, especialmente significativo nas economias dos dois maiores importadores
mundiais, EUA e China, levou a uma forte expansão do comércio
mundial (volumes e preços, particularmente de commodities). A expressiva
demanda permitiu, por exemplo, que as exportações brasileiras
praticamente duplicassem no período, passando de US$ 60,3 bilhões
em 2002 para US$ 118,3 bilhões em 2005 apesar da forte apreciação
cambial observada no triênio, com o câmbio nominal chegando ao final
de 2005 a 2,34 R$/US$, praticamente o mesmo nível do final de 2001. Uma
das razões para isto foi o historicamente inédito superávit
comercial de 2005, de US$ 44,8 bilhões, conseqüência de importações
contidas por uma taxa de crescimento do PIB brasileiro de 2,3%, menos da metade
daquela observada em 2004, que alcançou 4,9%.
A outra razão, além da expansão do produto e do comércio
mundiais muito acima da média observada na história recente, está
relacionada à ampla liquidez internacional que marcou os últimos
três anos. As taxas de juros norte-americanas no biênio 2003-2004
não se observavam há mais de 40 anos a taxa média
dos Fed Funds, por exemplo, foi da ordem de 1,25% ao ano, tanto em 2003 quanto
em 2004. Apesar da gradual elevação posta em prática desde
meados de 2004, a qual levou os Fed Funds a 4,25%, ao final de 2005, os títulos
de dez anos de prazo do tesouro norte-americano estiveram, em média,
abaixo de 4,3% ao longo desse ano.
Como conseqüência de políticas monetária e fiscal
expansionistas, os EUA consumiram e investiram muito mais que sua capacidade
doméstica de produção. A diferença de US$ 804 bilhões,
seu déficit em conta corrente no balanço de pagamentos em 2005,
foi a causa básica da forte expansão da liquidez mundial e da
facilidade com que empresas e governos acessaram o mercado internacional de
capitais ao longo dos últimos três anos, particularmente em 2005.
As perspectivas para 2006 continuam favoráveis em termos tanto de expansão
do produto mundial e do comércio internacional quanto da situação
da folgada liquidez global. Isto apesar do crescimento um pouco menor e de maior
volatilidade e incerteza quanto aos riscos associados à forma de correção
do insustentável déficit em conta corrente dos EUA, quanto aos
preços de ativos, quanto à evolução da curva de
juros nos EUA e aos preços do petróleo, dada a diferença
estreita entre demanda e capacidade de oferta, bem como a instabilidade política
no Oriente Médio.
O desempenho da economia brasileira em 2005, como em 2004, continuou a ser
positivamente afetado por esta combinação favorável de
fatores externos, comerciais e financeiros; por uma condução de
política macroeconômica comprometida com a preservação
da inflação sob controle (5,7% em 2005, a mais baixa desde o início
do regime de metas de inflação); pela não elevação
da relação dívida/PIB 51,65% em 2005 contra 51,67%
em 2004 e por avanços institucionais e mudanças estruturais
alcançados anteriormente pela sociedade brasileira.
A mesma combinação deve assegurar, em 2006, perspectivas razoáveis
para a economia brasileira: o superávit da balança comercial ainda
deverá ser muito expressivo no ano (mais de US$ 38 bilhões); a
inflação deve ficar perto do centro da banda (4,5 ± 2 p.p.),
a dívida deve ser reduzida como percentagem do PIB, devido à trajetória
claramente declinante das taxas de juros nominais e reais, e o crescimento deve
ser maior em 2006 do que em 2005 em pelo menos um ponto percentual, chegando
a pelo menos 3,5% contra os 2,3% observados em 2005.
Apesar da taxa de crescimento de menos da metade daquela alcançada em
2004, o Brasil soube aproveitar a extraordinariamente favorável situação
internacional para reduzir em muito a vulnerabilidade externa
da economia brasileira. A dívida pública indexada ao dólar
foi virtualmente eliminada em 2005. As obrigações para com o FMI
e o Clube de Paris, credores oficiais, foram pagas antecipadamente, e as reservas
internacionais foram aumentadas por meio da compra de dólares no mercado.
Com isso, a dívida externa do setor público, líquida destas
reservas menos de US$ 20 bilhões é hoje irrisória
como percentual do PIB (cerca de 2,5%), e, uma das mais baixas da história
recente como percentagem das exportações. O setor privado aproveitou
a apreciação cambial para reestruturar suas dívidas, substituir
dívidas mais caras por outras relativamente mais baratas ou simplesmente
pré-pagar suas dívidas. A dívida externa consolidada do
País, pública e privada, não é mais vista como um
problema que inspire maiores cuidados, sendo facilmente administrável.
A dívida total vem tendo sua composição gradualmente alterada
para conferir mais peso à parcela prefixada e/ou indexada a preços,
em detrimento daquela parcela indexada à taxa Selic.
Em outras palavras, apesar do crescimento econômico visto como aquém
de nossa experiência passada, inferior a nossas possibilidades e muito
mais baixo do que o observado em países que competem conosco, a economia
brasileira, seu sistema produtivo e seu setor financeiro estão hoje mais
bem posicionados para enfrentar turbulências e volatilidades provenientes
da economia internacional. As razões desse cenário foram discutidas
em detalhe na Carta aos Acionistas do Relatório do ano passado.
Essa mesma carta expressou serena confiança no desempenho futuro do
Unibanco e não apenas no ano de 2005. A confiança tinha
sólidos fundamentos que a carta procurou explicitar. Assumimos um novo
posicionamento mercadológico, remodelamos nossa marca e consolidamos
a bem-sucedida reestruturação iniciada em julho de 2004. Os resultados
efetivamente alcançados e o claro reconhecimento deles pelo mercado
falam por si, como se verá a seguir.
O Unibanco teve um excelente desempenho em 2005. Seu lucro líquido chegou
a R$ 1.838 milhões, um aumento de 43,3% sobre o resultado de 2004. Seus
ativos totais alcançaram R$ 91,8 bilhõese seu patrimônio
líquido chegou a R$ 9,3 bilhões. O retorno anualizado sobre o
patrimônio líquido médio foi de 21,1% no ano de 2005, contra
16,8% em 2004. Deve-se notar, contudo, que no último trimestre do ano
este retorno chegou a 24,2% indicando clara tendência de melhora ao longo
do exercício.
As operações de crédito em 2005 chegaram a R$ 39,9 bilhões,
representando um aumento de 25,4% sobre 2004, enquanto o crédito do sistema
financeiro brasileiro como um todo cresceu 21,5%. O crédito à
Pessoa Física aumentou 31,1%, e à Pessoa Jurídica, 22,1%.
Como as despesas administrativas ficaram praticamente constantes em termos nominais,
o índice de eficiência do Unibanco melhorou substancialmente em
2005: atingiu 49,2% no último trimestre do ano, contra 59,5% no trimestre
equivalente do ano anterior.
A reestruturação realizada em 2004 descrita em detalhes
no relatório anual do ano passado aumentou em muito a eficiência
operacional das áreas de negócios e de apoio do Unibanco, permitindo
retornos não só acima de 20% em todos os trimestres, como crescentes
ao longo do ano de 2005.
A confiança que o Unibanco mostrou em sua capacidade de reinventar-se,
enfrentar desafios e aproveitar oportunidades e tão ou mais importantes
os resultados efetivamente obtidos foram amplamente reconhecidos pelos
mercados, tanto domésticos como internacionais.
O Unibanco foi ao mercado acionário duas vezes em 2005 para oferecer
quase 20% de seu capital. Na primeira, em fevereiro, foram vendidos 45,9 milhões
de Units ao preço de R$ 15,65, movimentando R$ 718 milhões. A
segunda oferta, concluída em setembro, constituiu uma das maiores operações
do mercado brasileiro nos últimos anos, totalizando um montante aproximado
de R$ 1,8 bilhão, a um preço final de R$ 20,49 por Unit e de US$
44,00 por GDS na bolsa de valores de Nova York.
É importante registrar que a valorização da Unit entre
a precificação da segunda oferta em setembro e o fim do ano de
2005 alcançou 43%, atingindo seu pico histórico de preço
até então, tanto na Bovespa quanto na bolsa de Nova York. A GDS
do Unibanco, por exemplo, encerrou 2005 com alta de 100% de US$ 31,72
para US$ 63,57 ante uma queda de 0,6% no índice Dow Jones. Estas
ofertas estimularam e possibilitaram o ingresso de novos e importantes investidores
institucionais na base de acionistas do Unibanco.
No mercado de renda fixa, o Unibanco foi um dos pioneiros em testar a confiança
dos investidores, ao emitir no mercado internacional, em julho de 2005, bônus
perpétuos, cujo montante inicial foi dobrado para US$ 500 milhões.
Participaram do livro 875 investidores internacionais que mostraram confiança
no Unibanco ao participarem de uma das primeiras e maiores operações
em títulos perpétuos do mercado brasileiro. Vale lembrar que em
maio de 2005, como resultado de uma série de iniciativas do Unibanco
para aumentar a liquidez de suas ações no Brasil, a Unit passou
a integrar o Ibovespa, como havia integrado o IBrX-50 em 2004. No ano de 2005,
a Unit do Unibanco apresentou valorização de 80% (de R$ 15,82
para R$ 28,45), a quarta maior valorização dentre as ações
integrantes do Ibovespa.
Por outro lado, os acionistas do Unibanco foram beneficiados não só
pelos montantes recebidos sob a forma de dividendos e juros sobre capital próprio
(R$ 617 milhões em 2005, contra R$ 448 milhões em 2004), como
também pelo fato de que, desde o início de 2005, os dividendos
antes semestrais passaram a ser pagos trimestralmente. Como é
sabido, a política de remuneração aos acionistas do Unibanco
prevê a distribuição mínima de 35% de lucro de cada
ano, após a constituição de reserva legal de 5%.
Cabe mencionar também que, em 1º de dezembro de 2005, o Unibanco
foi selecionado para integrar o Índice de Sustentabilidade Empresarial
(ISE), construído pela Bovespa e pela IFC. O índice é formado
por ações de 28 empresas, escolhidas segundo os critérios
de sustentabilidade, governança corporativa e responsabilidade social.
É com base nestas conquistas e nos fundamentos que as sustentam
que o Unibanco continua a olhar com confiança para 2006 e adiante.
A Diretoria Executiva e o Conselho de Administração estão
perfeitamente cientes do muito que há por fazer e acompanham cuidadosamente
o entorno competitivo e a situação econômica doméstica
e internacional. Mas também estão convictos de que os resultados
do Unibanco estão cada vez menos voláteis, mostrando capacidade
de geração de retornos consistentes e cada vez mais previsíveis.
O presidente executivo do Unibanco, em sua mensagem de final de ano aos colaboradores,
notou que 2006 será o nosso verdadeiro batismo de fogo, não
sem antes ter registrado uma avaliação compartilhada pela Diretoria
Executiva e pelo Conselho de Administração: Nossa operação
está melhor. Muito melhor. É com este espírito, e
sem desconhecer os desafios à frente, que o Unibanco olha com confiança
para o ano de 2006 e os que se lhe seguirão.
Cordialmente,

PEDRO SAMPAIO MALAN
Presidente do Conselho de Administração |