Instituto Moreira Salles
 

Fundado em 1990 por Walther Moreira Salles (1912-2001) e mantido pelo Unibanco, o Instituto Moreira Salles (IMS) é uma entidade civil sem fins lucrativos que tem por finalidade a promoção e o desenvolvimento de programas culturais. Suas áreas de atuação são fotografia, cinema, artes plásticas, literatura e música brasileira.

Uma das características que diferenciam o Instituto Moreira Salles de outras instituições culturais privadas no Brasil e no exterior está em sua forma direta de intervenção. Em vez de praticar o mecenato tradicional, financiando projetos de terceiros, o IMS atua em ações que ele próprio concebe e executa. Outra singularidade diz respeito à prioridade que confere a iniciativas de médio e longo prazos, que se inserem numa política cultural voltada para a formação e o aprimoramento da comunidade.

A existência de centros culturais do Instituto nos principais estados brasileiros – um em São Paulo, um no Rio de Janeiro e dois em Minas Gerais (um em Belo Horizonte e outro em Poços de Caldas) – permite que ele opere como um circuito integrado. Além dessas unidades de fomento à cultura, o IMS coordena as atividades do Espaço Unibanco de Cinema/Unibanco Arteplex, uma rede de 49 modernas salas de exibição localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Fortaleza e Juiz de Fora (MG). Nos quatro primeiros, há, ainda, galerias de arte onde ocorrem mostras relacionadas ao acervo do Instituto e também à programação do cinema e à arte local.

Considerados em conjunto, esses centros culturais, cinemas e galerias de arte representam o principal complexo privado dedicado à cultura e às artes no Brasil.

Principais Realizações

Em 2005, o Instituto Moreira Salles promoveu uma série de exposições, atividades e eventos artísticos e culturais. Entre os principais, podemos citar os seguintes:

Mostra “O Brasil de Marc Ferrez”

Realizada no Centro Cultural IMS do Rio de Janeiro, no segundo semestre de 2005, a mostra reuniu cerca de 300 imagens produzidas pelo fotógrafo carioca de origem francesa e foi visitada por 34 mil pessoas. A coleção da obra completa de Ferrez (1843-1923), considerado um dos principais fotógrafos brasileiros do século 19, foi adquirida pelo IMS em 1998 e contém mais de 5.500 imagens, sendo 4 mil negativos originais em vidro. Esta mostra no Rio deu continuidade às homenagens prestadas pelo IMS aos 440 anos da cidade.

Presença no “Ano do Brasil” na França

Ao longo do ano em que se prestaram diversas homenagens ao Brasil na França, o IMS lançou o livro O Brasil de Marc Ferrez, em edição trilíngüe (português, francês e inglês) e promoveu seis concorridas exposições em território francês: A Fotografia Brasileira no Século XIX, no Museu d’Orsay (Paris); Canudos, na Galerie Photo (Montepellier); O Brasil de Marcel Gautherot, na Magazine Printemps (Paris); Música Popular Brasileira, na Cité de La Musique (Paris); e Marc Ferrez, no Museu Carnavalet (Paris). Esta última com público pagante de 15 mil pessoas e ampla repercussão na mídia francesa, com reportagens no Le Monde e em outros jornais e revistas locais.

Exposição “Manfredo de Souzanetto: Esculturas”

Realizada no primeiro semestre de 2005, no Instituto Moreira Salles de Belo Horizonte, a exposição, inédita, reuniu cerca de 30 obras do artista plástico mineiro Manfredo de Souzanetto, que já teve suas peças expostas na França, Alemanha, Suíça e Inglaterra. As obras, em grandes dimensões e de técnicas variadas, foram produzidas entre 1992 e 2005. Depois da capital mineira, a exposição foi levada para o centro cultural do IMS em Poços de Caldas e terá seqüência, ainda, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Exposição “O Mundo de Alice Brill”

Em homenagem aos 85 anos da fotógrafa alemã radicada no Brasil, a mostra é a primeira a apresentar a ampla variedade de temas abordados pela artista. Reuniu 85 imagens de seu acervo, adquirido pelo Instituto em 2000. A exposição foi inaugurada em setembro de 2005, no IMS e na Galeria IMS do Unibanco Arteplex, ambos em São Paulo. Este ano, seguirá para os centros culturais do IMS no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Poços de Caldas, Porto Alegre e Curitiba.

Exposição “Avenida Central 1905-2005: Imagens de um Brasil Moderno no Acervo do Instituto Moreira Salles”

A mostra homenageia os cem anos da avenida, hoje Rio Branco, um dos símbolos e cartões-postais da capital fluminense. A exposição, resultado de parceria do IMS com o Centro Cultural da Justiça Federal, reúne mais de cem imagens de fotógrafos como Marc Ferrez, Augusto Malta e João Martins Torres. Uma seleção de 20 desses trabalhos também foi exibida na Galeria do IMS no Unibanco Arteplex da Praia de Botafogo.

Exposição “Os ‘Reclames’ de Fulvio Pennacchi: Primórdios da Propaganda Brasileira”

Realizada no Instituto Moreira Salles de São Paulo, a mostra reuniu, pela primeira vez, 58 projetos de cartazes publicitários do artista italiano (1905-1992) radicado no Brasil. Produzidas nas décadas de 20 e 30, as obras são desenhos a guache e aguadas, e fazem parte do acervo do IMS.

Outros Destaques

Em 2005, cerca de 226 mil pessoas visitaram os centros culturais e as exposições promovidas pelo IMS, público 25% superior ao do ano anterior. Foram realizados, no período, 25 mostras de arte, 39 recitais e 37 cursos e workshops. Mais de 3,3 milhões de pessoas compareceram às sessões de cinema nas salas de exibição dos Espaços Unibanco e Unibanco Arteplex.

Em maio do ano passado foi inaugurado o Unibanco Arteplex na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, totalizando seis salas e 921 lugares. O cinema conta com livraria, galeria de arte, espaço de convivência, cafeteria e bistrô.

Vale destacar também a edição de publicações, entre elas o livro A Crítica Cúmplice – Decio de Almeida Prado e a Formação do Teatro Brasileiro Moderno e a 19ª edição dos Cadernos de Literatura Brasileira, dedicada ao escritor e dramaturgo amazonense Márcio de Souza, além de participação no livro Olho da Rua: o Brasil nas Fotos de José Medeiros.

Na área musical, o IMS colocou em seu site, para audição on-line gratuita, 15 mil músicas da coleção do crítico musical paulista José Ramos Tinhorão, que se juntam às 13 mil gravações da discoteca do pesquisador carioca Humberto Franceschi, configurando o maior conjunto de música digital disponibilizado na Internet.

Por meio de convênio com a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat), o IMS passou a ser responsável por preservar, organizar e difundir o acervo da compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga (1847-1935), composto por milhares de partituras – manuscritas, editadas e inéditas –, peças para teatro musicado, fotografias, libretos, recortes de jornais e correspondências.